
Primeira Homilia
“No princípio, era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam. Ele era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Ele estava no mundo e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas, a todos que o receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, eles, que não foram gerados nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus.
E o verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade. Pois, de sua plenitude, todos nós recebemos graça por graça. Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo 1,1-5; 9-14 e 16-18)
No prólogo, São João tem em mente o modelo do Gênesis: “no princípio Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia. As trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”(Gen 1,1-3) Ele começa apresentando Jesus, pelo qual seu evangelho é anunciado, como um acontecimento do porte de uma nova criação, inaugurada com a entrada de Jesus na história da humanidade. É uma nova criação. Até então, toda a realidade criada (e, com ela, toda a Humanidade – Adam - ) pelo impossível da plena realização estava marcada. Entra o Verbo da Vida no mundo decaído para reerguê-lo, como luz entra nas trevas, como o que é puro lava o que é imundo, como luz “que ilumina todo homem que vem a esse mundo”( cf. Jo 1, 9 ).
Se antes todas as coisas “nele por ele e para ele” foram criadas, agora, tudo nele foi regenerado e de criaturas decaídas, que ele encontrou, tornou-as filhos (as), em virtude da graça com a qual nos dotou. Na verdade, de uma nova criação se tratou.
Aquele que trazia em si a Divindade e a Humanidade, Jesus Cristo, a expressão da graça em plenitude, resgatou-nos, por ser a verdade de Deus, modificando a antiga condição que havíamos perdido e concedeu-nos, por sua graça, um bem maior, a saber, a filiação divina, pois somos filhos no Filho mediante a fé (Gl 3,26) É dele que recebemos graça e verdade (Jo 1,17), quando o buscamos com sinceridade e “de sua plenitude, recebemos graças sobre graças” (Jo 1,16)
Sendo Jesus é a graça plena de Deus, que se comunica aos seus. Nele acreditar conduz acrescentar à nossa humana condição a Vida, a que nele habitava, obra do Espírito, legado maior que ele nos deixou. Ele tornou possível a filiação, a que vem pela fé em Cristo Jesus ( cf Jo 1, 12 ) e dá-se na participação do mistério da intimidade de Deus. Todavia, o que nós somos ainda não foi plenamente revelado( cf. Rm 8,18 ) Um dia, essa realidade que nós trazemos, que é uma preciosidade em vaso de argila (II cor 4,7 ) será plenamente realizada. Essa vida divina, que nós já possuímos, um dia será plenificada.( cf I cor 13,12 )
Todo aquele que vem a este mundo vem na luz. Jesus Cristo é a luz, a que brilha nas trevas (cf. Mt 4,16), a que a muitos conduz,; e aquele que nele, para ele e por ele se encaminhar não tropeçará (cf Jo 8,12)
Assumindo a nossa condição humana, ele é capaz de entender a nossa estrutura e se lembrar do pó que somos nós (Sl 103/102,14)
Capaz de se compadecer de nossa fraqueza, como sumo sacerdote (cf.Hb 4,16); pois, se de um lado, tudo, à sua luz, a descoberto está (cf. Hb 4,13), com confiança, aproximemo-nos do trono de sua graça, para conseguirmos misericórdia, com ajuda oportuna que sua graça nos dá (Hb. 4,16) . Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre (Hb 13,8), aquele que é que era e que será. Nele está a esperança que não decepcionará (cf. Rm 8,21)
Louvado seja o Santíssimo Nome de Jesus.
Pe. Airton Freire
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